Cotidiano e Poesia | Você sabe o que é ser desfeito?
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Você sabe o que é ser desfeito?

O meu esboço é um coração antigo, a maioridade das estações, a saliva dos sentidos que em negrito me rasurou.

Sou como todos os outros.

Você já ouviu a frase: todos nós já passamos por isso?

Todos nós somos filhos da alegria, somos verbos/dedicadamente sobreviventes.

Quem nunca sentiu como se as ruas se alongassem, quem nunca esteve do outro lado do vento?

Eu acredito que o destino das palavras alimenta o rio e devagar, vamos aprendendo a morfologia do tempo.

Às vezes parece que as pessoas não passam de uma paisagem vertebrada, sem véspera de sol ou o anuncio de um rosto.

Onde afinal esta o imaterial, a verdadeira razão das coisas, o impossível lugar, o movimento das águas.

Em que língua me entende?

Somos efêmeros, sem tempo e mesmo assim o egoísmo das marés insiste e se antecipa ao impalpável.

Quando eu devo falar da chuva? Quando as mãos já estiverem inúteis. Hora, não foi ontem que a lua se fez rima.

Porque permitimos que as borboletas escapem do estômago?

 Estou velho e ainda assim as palavras gravitam pelos séculos da minha boca.

Eu sou o corpo lançado à linguagem do rio com teu nome entre os meus dentes extraindo de mim o mais humano ângulo de esperança, pois eu não sei nadar.

Às cegas violento a minha garganta num poema, eu tento, apenas tento, explicar o amor.

Eu ascendo uma palavra e trago/ quem sabe um pensamento toque o meu ombro.

O barato de uma silaba na memória que perfila o principio de um sorriso.

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Petrópolis – 23/09/2015

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