Cotidiano e Poesia | Voz
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Voz

Sou olho e alma, persisto redemoinho, vento, tempestade, sou além de mim por todos os poros e assim me reconheço, me reencontro.

Embora múltipla não renego minha fragilidade, esgoto-me e me renovo num desfio constante permitindo-me ser Bruxa e Alice.

Sou das verdades que me afloram a pele, do dia após dia fundamentada no desejo de ser.

Eu aprendi a ser fluida no momento em que nasci para mim num eu crescente e então, finalmente estou sobre as minhas margens.

_Um eu frágil e absoluta fiz de mim minha própria efígie, olhos azuis derramando intenções.

Minha alma esta na garganta está inundada de mim, sou nascente – lago – oceano.

 Eu não sou má apenas não costumo ceder, eu concedo. Eu não existo, eu vivo. Eu não duvido, eu pago pra ver.

Eu não sou amena, não meço palavras, mas, eu mimo agrado e entrego sorrisos.

Eu não costumo falar, eu os faço ouvir mesmo que no mais absoluto silêncio.

Não sou adepta do “sim”, pois sou intuitiva em proferir um não” – seja sob tempestades ou serena como água de lagoa. Eu jamais desagradaria quem sou por quem quer que seja, pois eu não aparento, eu sou!

Sou eu a melhor conhecedora de mim. Sou persuasão, sedutora, misteriosa, encantadora e alguns juram que sou feiticeira.

O espelho e um leão por dia, gigante e frágil – delicada.

Sou o impávido colosso que dilata em prantos, pois sou mãe e eu também choro, também sofro – não sou boazinha eu sou fênix!

Eu sei que para os meus sou superlativamente amada e como todos um dia vou morrer, entretanto, talvez eu não saiba o caminho que conduz ao céu, mas o da felicidade esse eu conheço.

Quando vim ao mundo me insinuei e me apropriei, houve dor a ruptura do cordão foi brusca e definitiva. Tudo tão repentino (…).

Mas também foi encanto, foi delicioso ser centro, ser vida, ser aguda, vibrante dona de um pulsar genuinamente meu. Eu já quis parar não nego, mas minha sede de mim foi e é maior.

É muito bom sentir, tocar, saber quem eu sou.

Sou completude, pois gerei e doei mais de mim entregando ao mundo a minha imagem e semelhança.

Estou estampada na gratidão dos anos, nas entrelinhas da minha mudez, é lá que estou, completa e desafogada.

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(Eterno é quem vive na inspiração de um poeta. E.T.A.H.E.P.S)

Petrópolis – 04/06/2015

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